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Escola Estadual Dom José Brandão de Castro é referência para comunidade Xokó

Publicado em: 24/10/2016     Imprimir artigo

thumbnail_escola-xoko-foto-marcelle-cristinne-asn“A escola representa tudo para a nossa comunidade”, é assim que a ex-estudante e pescadora Joseane Apolônio descreve a Escola Estadual Indígena Dom José Brandão de Castro, na Ilha de São Pedro, município de Porto da Folha, sertão do estado. Hoje, enquanto mãe, Joseane continua participando ativamente da vida escolar e essa não é uma característica exclusiva da pescadora.  Localizada dentro da aldeia, a escola é mais do que um instrumento de ensino. É um ponto de encontro da comunidade e funciona em total integração com o meio. As festas na unidade de ensino, como por exemplo, a do Dia das Crianças, realizada na terça-feira, 11, são um grande evento. Este ano, professores deram voz a personagens da Disney, Marvel e DC Comics e encantaram pais e alunos.

A participação da comunidade, entretanto, não se restringe apenas aos eventos.  A presença das lideranças comunitárias e pais na gestão escolar é visível. Da arborização, oficinas de artesanato e tomada das decisões, tudo passa pelo crivo da coletividade, explicou a diretora da unidade, Nadja Nária Alves da Silva Rodrigues. “Gerir essa escola é como gerir uma família. Aqui tudo é pensado para o bem da comunidade. Eu, como diretora da escola, tenho os meus gestores: a Secretaria de Educação e o cacique Bá. Só posso aprovar projetos depois de falar com as lideranças. Todo mundo aqui tem voz. Formamos gerações aqui. A escola não é só dos alunos, é do povo xokó. Por exemplo, eu não vou fazer algo só para os alunos da escola. Qualquer evento é para todo mundo, para a comunidade. Essa é a nossa realidade”, garante.

“A gente sempre participa das atividades da escola, de reuniões de pais e mães, festas de crianças, tudo. Até na própria celebração da nossa comunidade, a unidade de ensino está presente também. Tudo que a gente faz, até no nosso ritual sagrado, a escola está presente”, diz Joseane.

Referência xokó

Embora a grade curricular da escola indígena seja a mesma das demais instituições de ensino da rede estadual, ainda assim a cultura local é passada às novas gerações por meio de atividades interdisciplinares, enfatizando sempre a história e manifestações culturais da aldeia xokó e de projetos didáticos. Dentre eles, destacam-se o “Mais educação” – que contempla oficinais de artesanato, horta, aulas de reforço e lazer – e o “Valorizando as raízes xokós”, trabalho que atua no resgate ao conhecimento de plantas medicinais e confecção de produtos como sabonetes, shampoos e lambedores.

“Toda a arborização em volta da escola foi do nosso punho, de professores e alunos. Pegamos as ervas no fundo do quintal das casas para, depois, fazermos sabonetes e xaropes. A professora de química que trouxe a receita. Esse projeto contava com o apoio do nosso pajé [falecido recentemente]. Ele me deu o aval para trabalhar as ervas e sempre me instruiu”, comenta a diretora.

A professora Jussara Apolônio, nascida e criada na comunidade, trabalha há 20 anos na instituição e diz reforçar em seus alunos a sensação de orgulho das raízes indígenas. “Eu gosto de trabalhar com eles, principalmente porque sou índia. Mostro que vivemos em uma comunidade, que todos têm que se respeitar e honrar os mais velhos, o cacique, o pajé etc. Gosto muito de conversar com meus alunos, saber o que aconteceu com eles e de trabalhar a oração indígena”, explica, e evidencia que seu papel não termina na sala de aula. “Sou professora aqui e convivo com eles fora da escola, é uma relação muito próxima. Sou como mãe deles. Quando eles ficam doentes, vou em suas casas ver como estão”.

Harmonia 

Respeito, harmonia e simplicidade são algumas das palavras utilizadas pelos docentes não-índios para descreverem a experiência de conviver tão de perto com uma cultura que não os pertence. Eles falam da boa convivência com a comunidade e como o contato com a cultura indígena os enriquece.

Para a professora de Educação Física Jackeline Carvalho, natural de Aracaju, saber que lecionaria em uma escola indígena foi uma feliz surpresa e, em comparação com experiências anteriores, diz se sentir mais respeitada enquanto docente. “Quando passei no concurso, imaginei que trabalharia na sede da cidade. Então, houve um susto inicial, mas fui muito bem acolhida pela comunidade. Hoje me sinto em casa. Acho que nós professores somos mais respeitados aqui, os pais têm um papel fundamental nisso, porque incentivam os filhos a nos respeitarem. É uma sensação de sermos uma grande família.”, avalia e admite sentir-se mais integrada à natureza. “É só observar os arredores. Trabalhamos em um lugar cheio de árvores e, ter a visão do rio São Francisco do quintal e em uma comunidade, me sinto muito feliz por viver em natureza. Eles nos ensinam muito a viver com simplicidade, de não olhar tanto para as coisas materiais e a gente absorve isso”.

“Eu costumo dizer que já nasci com alma indígena. Antes de vir para cá, já sonhava com esse lugar. É muito gratificante trabalhar com eles. Acho que quando trabalhamos com o coração, tudo flui. Apaixonei-me pela cultura indígena, que é diferenciada, linda, cheia de amor e sonhos”, revela a professora polivalente Valéria das Neves Santana.

Futuro

Conforme a diretora da escola, em sua gestão, 18 ex-alunos chegaram ao nível superior e muitos outros sonham com o ingresso em faculdades e cursos técnicos. Para a professora Jussara, a educação tem ajudado a mudar a mentalidade das pessoas da aldeia e proporcionar um futuro melhor, mas também é motivo de preocupação. “Muitos jovens da aldeia estão na capital. Eles terminam o ensino médio e vão para a faculdade. A gente se preocupa porque eles estão vivendo outra realidade. Eu fiz faculdade fora, mas voltei para minha comunidade. Futuramente, não sei como vai ser. Tem muito jovem que vai e não retorna mais”.

O estudante Emerson Acácio Santos Silva, de 15 anos, ainda não sabe o que quer cursar na faculdade, mas alimenta um sonho grandioso. “Participo de um projeto de fotografia da escola e tiro várias fotos da aldeia, da pesca, dos professores. Não sei que curso vou fazer, mas o que eu quero mesmo é ser fotógrafo”, enquanto o desejo não se realiza, o menino divide as cenas do seu cotidiano no Instagram.

Mas talvez o futuro não seja assim tão incerto. Uma semente de esperança pela continuidade das tradições indígenas, amor e senso de comunidade segue sendo despertada nos alunos da Escola Dom José Brandão de Castro, prova disso é a pequena Júlia Oruá, de apenas quatro anos, filha da ex-aluna Joseane Apolônio, que enche a boca ao dizer “quero ser médica e professora da escola quando eu crescer”.

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