O que importa para você?

Publicado em: 27/03/2017     Imprimir artigo

Por Michelle Nunes*

Era uma vez uma mãe… esposa, filha, vizinha, amiga, funcionária, irmã e dona de casa… dentre outros papeis que assumia em seu dia a dia. Fazia questão de manter tudo na mais perfeita ordem, cuidava pessoalmente das tarefas domésticas, dos filhos e do esposo, pois gostava de ver tudo em ordem, limpo, organizado.

Embora raramente sobrasse um tempinho para cuidar dela mesma, a mulher se sentia muito feliz em cuidar dos seus familiares e não reclamava. Sentia-se agradecida por ser muito boa nas tarefas que realizava e por ter o controle de tudo. E assim como todas as outras, sentia se bem quando era elogiada por sua dedicação, organização e por manter tudo na mais perfeita ordem… bem, era assim que ela imaginava.

Amanhã será o aniversário de 15 anos da filha mais velha. Há meses a mulher vem fazendo investimentos, contatos importantes, lembranças, convites, bebidas, cerimonial, comidas, roupas, homenagens… ufa! Eram muitos detalhes. Mas ela organizava tudo e mantinha tudo sob controle. Como era a véspera do aniversário, a mulher passara todo o dia cuidando da casa e da festa, pois desejava receber os amigos e familiares em grande estilo.

Como passara um dia muito atarefada, sentia-se cansada. Decidiu colocar o despertador para um pouco mais tarde, as 06:59. Desejava estar linda e descansada para a tão sonhada celebração. Ao deitar, não conseguia conciliar o sono, repassou sua lista pessoal de detalhes, levantou, anotou algumas coisas, deitou novamente, mas o sono parecia estar um pouco distante. Vivia um misto de sensações que iam da ansiedade a felicidade. Começou a passar um filme em sua cabeça, o início do namoro, o casamento, o nascimento da primeira filha que hoje completava 15 anos, o segundo filho, hoje com 07 anos e a terceira filha que completou 3 anos esse mês. Começou a se sentir culpada. Nossa, será que tenho dado total atenção aos meus outros 2 filhos e ao meu marido, ou só me preocupei com essa festa? Virou para o outro lado e ainda assim não conseguiu dormir. Pensou: amanhã acaba essa correria. Tudo voltará a ser como antes. Falta pouco para realizar o sonho da minha filha mais velha. Depois voltará tudo ao normal. Uma pergunta começou a ecoar em sua cabeça: quais são suas prioridades?

Demorou a dormir, não sabe ao certo que horas aconteceu. Lembra apenas que, as 05:30 da manhã, sua filha mais nova chegou ao seu lado na cama e convidou: mamãe, tem um lindo arco-íris no céu. Vem ver mamãe, vem por favor! Ela acordou assustada, parecia que tinha acabado de fechar os olhos, muito cansada, pediu que a filha fosse para a varanda que ela já ia se levantar. A filha saiu pulando e cantando, com aquela felicidade habitual das crianças. A mulher virou para o outro lado e adormeceu em segundos, quando começou a ouvir os gritos e o choro de desespero da filhinha que entrou no quarto soluçando: mamãe, você demorou, o arco Iris já foi embora. Queria tanto que a senhora o visse mamãe. Estava tão lindo! A mãe abraçou a filha e tentou confortá-la, mas ela estava inconsolável. Chorou por muito tempo e repetia: a senhora demorou muito, o arco íris foi embora!

E a pergunta voltava a todo instante: quais são suas prioridades?

Decidiu levantar e começar o dia, afinal não conseguiria dormir mais. Tomou um café leve, conferiu se estava tudo bem em casa, pegou suas anotações da noite anterior e seguiu com a filha mais velha para o salão. Tinha muitos afazeres naquele dia.

Ao deixar a filha no salão de beleza, se dirigiu ao local da festa, desejosa de que tudo estivesse na mais perfeita ordem. Desceu do carro e viu que havia 10 ligações perdidas em seu celular. Ao perceber que o nome no visor era CASA, perdeu o chão por alguns minutos. Sentiu que algo saíra do seu controle. Quais são minhas prioridades? Pensou. Ligou e ninguém atendia. Voltou para casa e não encontrou ninguém. O celular do marido não atendia e percebeu que ficara em casa, mas o carro não estava lá, nem o filho, nem a babá… ligou para a babá que atendeu com uma voz diferente, chorosa.

Chegou ao hospital infantil e entrou sem anunciar sua chegada. O marido estava ao lado da maca aos prantos. Ela ficou tonta, pensou que ia desmaiar. Respirou e deu alguns passos a frente. Secou as lágrimas, segurou a mão da filhinha, limpou o sangue da sua testa e com a voz firme, mas cheia de amor, disse: filha, eu prometo que ainda hoje, veremos o arco íris. Iremos encontrá-lo onde quer que ele tenha ido. A filha abriu os olhos e sorriu vagarosamente, ainda sonolenta pelas medicações. Com a voz baixinha mas repleta de felicidade por sentir a presença da mãe, respondeu: eu sei disso mamãe.

Com muito amor,

(Esta metáfora foi escrita para a turma DL 52).

Michelle da Graça Nunes é Assistente social, Terapeuta Renascedora Integrativa, Practitioner em PNL e Rebirthing Practitioner           

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Comentários

  1. Michelle Nunes disse:

    Gratidão Gabriela Santos e Cristiane Dantas. Quando fazemos algo com amor, o resultado é amor em dobro!
    Amo vocês.

  2. Gabriela Santos disse:

    Arrasou como sempre Michelle, um orgulho vc!! ????

  3. Cristiane Dantas disse:

    Perfeita Michele, Parabénsssss pela dedicação
    Um super 4 bem caloroso
    ????????????
    ????

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