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Professor da rede estadual reinventa modelo de sala de aula

Publicado em: 13/10/2016     Imprimir artigo

profA sala de aula é diferente. Não tem carteiras, tampouco decoração clássica. Nela, os alunos podem sentar em pufes, paletes [plataformas de madeira], cadeiras, tapetes ou até mesmo no chão. Os materiais de estudos são músicas, livros, poesias, peças teatrais e comunicacionais. As paredes fogem do branco ou do cinza. São pintadas de amarelo e vermelho. Os estudantes vão de 15 a 43 anos. O lugar é o ambiente de trabalho do professor de português Fabiano Oliveira, que leciona no Colégio Estadual Dom Luciano.

O espaço de ensino foi pensado entre eles e agora é ambiente para aulas não só no horário letivo. Durante as férias de meio do ano, por exemplo, os estudantes continuam indo às aulas para aprofundarem o conhecimento para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e desenvolverem habilidades artísticas e culturais. Discentes do Dom Luciano, junto com um aluno de outra escola estadual e uma mãe, assistem às aulas e, em meio a paródias, slides, debates e muitas outras atividades, absorvem o conteúdo.

“Ofereço o tradicional, mas por vieses diferentes”, explicou o professor Fabiano Oliveira sobre o projeto da sala de aula diferente, ou ateliê, como ele prefere chamar. “Aqui, unimos literatura, arte, música, poesia e comunicação. É onde instigo, eles desenvolvem as atividades e se descobrem. Um método como esse pode ser visto ainda hoje como quebra do tradicional, pois não tem cadeiras, e os alunos podem até assistir às aulas deitados. Na minha sala de aula, os estudantes têm liberdade e todos respeitam a estrutura”, destacou, ressaltando que, apesar de tudo, há regras.

Na sala é tudo democrático, mas os estudantes seguem os sistemas de avaliação quantitativo e qualitativo, com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Apesar disso, a participação deles na construção de paródias, seminários, apresentações musicais e redação de matérias também é observada pelo professor. “Queria que eles se sentissem em casa, mas que as práticas pedagógicas fossem diferentes, levando em consideração os conteúdos curriculares”, pontuou.

Para a estudante Beatriz Lima, 16, do 2º ano, por conta do método adotado pelo professor Fabiano Oliveira, ela não tem interesse em mudar para outra escola. “Nos lugares onde estudei anteriormente, nunca tive nada do tipo. Nenhum professor se importava tanto com os alunos e desenvolvia projetos. Aqui, todos ficam à vontade. Os alunos se unem, cada um faz sua parte e não é preciso ninguém pedir nada, pois todos fazem por livre e espontânea vontade. E, exatamente por ser algo diferente, nos interessamos mais”, destacou.

Já Victória Souza, 16, da mesma série, enxerga o projeto de ensino com outra perspectiva. Ela conta que antes de matricular-se no Dom Luciano, estudava em escola particular em Fortaleza, e que mudou sua concepção sobre educação pública. “Na escola particular, acreditamos que teremos um bom ensino, pois há pagamento direto. Já na estadual, pensamos que não vamos aprender direito. Mas aí é que as pessoas se enganam, pois existem professores como Fabiano que investem no aluno. Ele foge do tradicional. Já estudei em algumas escolas particulares e nenhuma fez isso. Por isso acho que Fabiano faz a diferença e busca com que a unidade de ensino pública seja também um local de crescimento”.

Projeto

A Central de Estudos Linguísticos e Literários (CELL) é o nome dado ao projeto de Fabiano Oliveira. O professor comenta que, para criar a iniciativa, inspirou-se em Maria Montessori, Vygotsky, Piaget, Paulo Freire e Anísio Teixeira. “Tudo aqui na sala tem fundamentação pedagógica”, complementou. Na sala, os alunos ficam sentados em círculo.

“Começamos a montar a sala em 2014. Aqui era um espaço ocioso e fechado. Então, decidi montar o projeto e apresentei a escola, que apostou na iniciativa. Depois chamei os alunos, que me ajudaram a montar a estrutura. Aqui temos materiais reutilizados e abrimos espaços para apresentações artísticas. O Governo do Estado nos deu apoio, mandou netbooks e máquinas fotográficas para o projeto de literatura. Essa ajuda é fundamental para prosseguir com o projeto, que não tem culminância, e sim continuidade”, ressaltou Oliveira.

Dentro do projeto da sala de aula diferente, o professor desenvolveu algumas iniciativas para integrar os alunos e desenvolver competências. Um deles é o ‘Redações Perigosas’, no qual, com participação ou não de professores de outras disciplinas e escolas, Fabiano trata sobre temas relevantes e que podem ser cobrados no Enem. Outra ação é a ‘Vitrine Literária’. Nele, os estudantes transformam as aulas de literatura em filmes, coreografias e peças teatrais. As apresentações ocorrem no Centro Cultural J Inácio.

Sobre a participação de alunos em suas aulas, Fabiano Oliveira conta que sua aula promove a integração. Exemplo disso é a participação do estudante Marcelo Henrique de Jesus, 16, que está matriculado na Escola Estadual Professor João Costa, e da dona de casa Edriane Oliveira, 43. Eles pediram autorização do professor e do Colégio Dom Luciano para terem acesso às aulas.

“Terminei o colégio em 1996, ou seja, estava há muitos anos sem estudar. Acabei voltando para a escola porque quero passar no Enem. E o que despertou meu interesse na aula de Fabiano foi o relato de minha filha. Perguntei se poderia acompanhar e o professor aprovou. Para mim, é maravilhosa essa chance. Fabiano é ótimo. Além de fazer a diferença em minha vida, quando entrar na universidade vou lembrar dele e agradecer muito”, afirmou Edriane.

Marcelo Henrique já conhecia o professor e, ao acompanhar o desenvolvimento das atividades que ele desenvolve, se interessou pelas aulas no Dom Luciano e também pediu para participar. “Fabiano é um professor que ficou marcado. Tanto é que decidi assistir às aulas dele, mesmo não tendo matrícula aqui no Dom Luciano. É um docente que me chama a atenção por sua forma de ensino. O método dele é diferente, faz com que o aluno perca o foco do celular e comece a prestar atenção nas aulas. Além disso, aqui tem música, teatro, e tenho contato com profissionais de diversas áreas de trabalho, que vêm palestrar aqui para desenvolvermos os argumentos na hora da redação do Enem”, relatou.

Para Fabiano, essa proximidade com os alunos é fundamental. Ele acredita que ser professor é um desafio e que não há nenhum profissional da área que esteja em zona de conforto, de modo que é necessário buscar sempre novas alternativas. “Ser professor hoje é ter audácia e coragem para enfrentar um sistema tradicionalmente forte e, às vezes, barreiras impostas pela sociedade, pelo aluno e a família. Apesar do desafio, sou mais de que satisfeito em trabalhar com esse estilo de ensino. É o que busquei e me realizo porque amo o que faço”.

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